sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Descobertas

Neste lugar eu estava só. Estando só, achei que não existia. Não existindo, era um belo unicórnio. Ou uma banana. Me questionava o porquê de não ser. Gêmeos, os Homos e Héteros me disseram que precisava ser apenas como um deles. Em minha terra sem ninguém, não era parte, transição. Comecei a não-ser cada vez mais, a distanciar dos que eram tão certos de si e cobravam minha incerteza. Me acusavam de não saber quem era. Se afastavam com medo que eu fosse, de verdade, do outro grupo. Não sabia quem era. Mas sabia que não era ora isto e nem ora seria aquilo.

E nessa terra onde estava só, fiquei por muito tempo com medo.

Até que outra pessoa esteve ali comigo. Também não era isto e depois aquilo. Éramos outra coisa. Nos descobrimos. De mãos dadas, o pequeno brilho de cada eu-unicórnio aumentou. Quando soltamos as mãos, encontramos brilhos dentro das pessoas que estavam ao nosso redor. Vendo mais pessoas como eu, deixei de não-existir. Me reconheci em algo único e lindo. Ainda escuto que deveria escolher. Ainda exigem que eu deva mudar sempre que quiser outra coisa. Amo ambos os que me dizem isso, embora eles ainda não entendam que podem me amar de volta, sem receios. Amo porque, em mim, todos existem para serem amados. E nisso não há polaridade. E afirmar isso é vencer a efemeridade dos sentimentos modernos. Em mim existe apenas brilho. O brilho de um unicórnio.


Neste lugar, em mim, não estou só.
Visibilidade Bissexual.

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