segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Uma velha cidade - Exploradores

Os dois cortes na minha perna, o calor e a perda de sangue, tudo indica que eu vou morrer. Mas morrer era melhor que se entregar. Morrer era melhor que ser capturado pelas tribos que interceptaram nossa caravana, atirando com fuzis e metralhadoras. Lembro que tomei um tiro, ou fui acertado por estilhaços, não sei, foi de raspão, mas foi a dor mais lancinante que conheci, antes de escorregar e ver dois rasgos abrirem em minha perna, enquanto os restos sobreviventes debandavam em diversas direções. Sei que estou fugindo apenas para morrer longe do que eles fazem com seus escravos. As lendas falam de coisas piores que a morte.

Por algumas horas eu corri floresta a dentro, ignorando as trilhas que humanos possam ter feito nas últimas centenas de anos. Folhas mortas, galhos e raízes se alternavam para cortar meus pés. A sensação de morte estava cada vez mais firme em mim quando senti o chão endurecer. Em minha frente uma Atlântida de pedra submersa em floresta e podridão se desdobrou. De algum modo, dou os primeiros passos na cidade para qual a expedição partira, sem maiores referências do que livros de desacreditados e infames, Alhazred e Flagg, além de Marco Polo e outros infames e proibidos,

Não sei como cheguei neste templo. Entro pela porta larga e sigo o único caminho aceitável para a morte. Desço escadas, abro portas e o encontro. Um poço. Nada das fascinantes riquezas do conhecimento religioso que viemos buscar. Nada de livros dos cultos antigos. Apenas um poço pleno de sombras. Semi-morto, deito em sua borda, seu grito de morte corre meus ouvidos.

Por anos esperei a morte de cada um dos meus perseguidores. À borda do poço, olhando onde deveriam estar suas águas profundas e ocultas, vi alguns morrerem de malária, de ebola, de doenças tropicais ainda inominadas. Outros foram mortos em guerras étnicas. Não importa. Interessa que foram mortes dolorosas, indignas. Agora, anos depois, posso adentrar ao poço.

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