segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Uma velha cidade - Sacerdote

Não havia mais lágrimas no meu rosto quanto terminei de adentrar a mais abandonada e profunda   câmara do templo abandonado. A esta hora, certamente, não havia mais por quem chorar. Os invasores certamente terminaram com suas lanças o serviço iniciado semanas antes, o envenenamento as águas.

Os horrores dos saques e estupros foram se multiplicando em questão de minutos, enquanto os homens do campo, subnutridos e fracos, acompanhados de velhos e crianças, semimortos de sede e doenças, sucumbiam empilhados por todos os cantos da enorme metrópole.

Neste instante, não tenho mais dúvidas do que devo fazer. O templo fora selado por um motivo, bem como seu culto. Estaciono diante do poço. Uma tampa de pedra maciça antiga, dos inícios dos tempos, ocultava segredos. Uma dezena de homens foi preciso para colocá-la. Eu a removo. Em convulsões, me atiro ao chão quando sinto a presença. Os gritos ecoaram uníssonos pelas cidades.

Em meio a sala, ainda contraído, sei que a invasão acabou. Sei que a vida acabou de uma vez por todas em nossa cidade. Descanso em paz.

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