quinta-feira, 24 de abril de 2014

Estrelas

O bartender esfregava outro copo quando minha companhia chegou. Antes disso, eu tomei duas cervejas. Foi pra disfarçar. Eu estava mesmo feliz de encontrar aquela garota, apenas não queria escancarar isso. Ela é linda e o programa para qual me chamou seria o tipo que não achei que alguém gostasse. Eu gosto. E gosto dela também.

O show começou quando conversávamos, trocando um olho no olho por sorrisos nos lábios. Voz doce e meiga no palco, voz firme no meu ouvido quando minha companheira elogiava a cantora. Voz de murmúrios incômodos ao fundo do bar, enquanto comemoravam um aniversário. Um show para ficar na memória, tipo o céu estrelado que, posteriormente, observamos naquela noite à beira da estrada.

Ficou tarde da noite e a baterista está sozinha no palco. Seus olhos estão em uma espécie transe enquanto mira a si mesma, plácido reflexo, no prato dourado da sua bateria. Esfrega o objeto paciente, como se masturbasse uma parte do seu corpo. É seu pequeno ritual. De algum modo, ela se considera torpe. De algum modo, eu acho estranha a beleza de seus pequenos gestos.

Na estrada, a companheira e eu comentamos o ânimo das estrelas no céu. Voltamos pra casa. Não tive preocupações aquela noite. Pude contar estrelas em mim.

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