segunda-feira, 28 de abril de 2014

Alegria

Era noite quando chegaram. As carruagens rangiam pela estrada de terra, fonte do único barulho na noite daquele vilarejo. Eram diversas, mas que desapareceram quando as lonas marrons abarrotadas e desbotadas se ergueram prometendo mil maravilhas aos pastores e pastoras calejados por revirar a terra infértil do inverno.

Sendo tempos de fome, as pessoas do vilarejo invadiram o circo e, com fogo e enxada, promoveram um massacre contra os andarilhos da alegria. Todos os lenços coloridos foram pilhados ou queimados. Os adereços e plumas alçaram voo no formato de cinzas. Os animais foram libertos: alguns para arar as plantações, outros para servirem de alimento.

O circo cumpriu sua tarefa. Em sua curtíssima temporada, fez aquela comunidade satisfeita e  feliz.

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