sexta-feira, 7 de março de 2014

Através do ruído do mundo...

Ainda espero. O mundo se agita em gritos, em carros e no barulho do sexo. Espero lendo um livro que não fala do nosso mundo. É o mesmo tal mundo, com gritos, carros e sexo, mas é um mundo diferente. Estou lendo porque o que espero está atrasado, mas está ali no livro, um mundo diferente.

Para além do ruído do mundo ela escreveu aquelas linhas. O livro, que comprei em um sebo, tinha algumas marcas, rasuras, sublinhados. Outra pessoa passou por aquele novo mundo. Novo? O Livro é de 1942. Ela viajou por muitos lugares e cantou baixinho a poesia de cada um deles. Agora aqui, eu me debruço na leitura. Colo o rosto próximo ao livro, silencio tudo ao redor para tentar ouvir melhor o que ela tem a dizer.

Ela viu os detalhes, pinçou eles nas palavras. Atravessou o ruído do mundo e cantou, com solenidade, as pequenas coisas que lhe importavam, muito além dos gritos, carros e sexo do homem. E é no meio de todo esse ruído que eu busco ouvir, colher e ler o mundo que a autora e a menina das anotações me deixou.

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