quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Secretário

O suor corre frio das mãos do digitador. Com um olho, a lista de afazeres, com outro, a redação do texto corre veloz e exata na tela do monitor. O telefone na orelha faz a terceira chamada em 5 minutos e mais uma reunião está agendada. "Imprime pra mim", "estamos sem tinta", "Consegue, por favor, é pra reunião das 14h". São 13h50. Água gelada para reunião. Recepção para reunião. Telefonema à 6 minutos da reunião. Corrida até a outra divisão. Impressão. Reunião inicia com a impressão em mãos.

Tempo vago dos afazeres repentinos. Afazeres programados. Quatro reclamações de clientes insatisfeitos. E oito e-mails pendentes na caixa. Carro para sexta-feira. É segunda, solicito amanhã. Duas reclamações respondidas, um e-mail enviado. "Traz a proposta 26!". Interrupções. Já que levantou, água. Mais duas reclamações resolvidas. O pedido de reunião fica para ser acertado amanhã. E-mails inúteis. Pronto. Carro solicitado e alinhamento de pauta da reunião seguinte com o outro assessor.

Outra pessoa com apontamento chega. Atrasado. A chefia saiu, retorna em cinco minutinhos. Passam quinze. "Desculpa, precisei falar com o presidente". A reunião começa. Uma cobrança que o secretário nem lembrava mais. Um pedido. Salada de frutas entregue. Café. Café. Chá. Os três copos descem rasgando, mas ainda assim mais devagar que os dedos que correm o teclado e a língua ao telefone.

Em meio a isso, ele ainda tem tempo de ajudar uma colega a consertar um bug de informática. Em meio a isso, ele compra um livro no Submarino.com. Em meio a isso, ele para e conversa com a outra secretária, faz o social. Ele ainda conversa com uma estagiária via Skype. E confere as mensagens antigas da futura ex-namorada no Whatsapp.

Em meio a tudo isso, ainda são 16h40.

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