segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Como uma massagem...

a espuma do mar corre suave pelos nossos pés. É tarde, mas o horário de verão mantém algo do dia na noite, um vermelho que reflete na beira do mar. A viagem foi em grupo, mas só nós dois tivemos a coragem para fazer essa última caminhada antes de dormir. Dormir. Dormir juntos, talvez. Ela está pensando nisso, eu nem tanto.

Dormir. Era tudo que eu queria. Fizemos muitas coisas ao longo do dia (nadamos, corremos, dançamos...). Dormir na orla onde sentamos agora para ver o mar. Dormir sem as mãos  dadas, como elas estão agora. Livre. Livre de calor. Livre daquele apertãozinho suave e livre de me sentir conduzido. De ser conduzido. Livre e apenas deixar meu corpo desfalecer.

Seria bom sentir o corpo além da carne, partindo para um mundo só meu. Intangível. Irrealizável, onde o sol deixe o céu azul-escuro-confortável e a maresia facilite o sono e os sonhos. Sem luz. Sem iluminar a tua face. Onde a areia não grudasse quando eu deitasse para olhar o mesmo teto azul-escuro-confortável pintado de estrelas. E descansar.

mas a espuma do mar corre suave pelos nossos pés. O mar conhece o ir e vir. É volúvel. Traz um rebuliço para o corpo da gente. Vai, volta. E toca. Escorre. E percorre toda extensão dos corpos: onde não toca, faz imaginar o toque. E esquenta. E quando se esvai, deixa o frio soprar numa necessidade de aquecer.

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