segunda-feira, 8 de novembro de 2010

repercussões

a bonequinha de vidro distribuiu seus pedacinhos pelo chão através dos dedos descuidados de seu dono:

ela fugiu e foi se esconder.

Sua longa e delicada perna parou sob o sofá, sem o pequenino sapatinho, que estava sob a escrivaninha.
A outra permaneceu com o corpo, já sem braços e sem cabeça;
braços, partidos cristais, não poderiam abraçar o céu em seu passo de ballet.
A cabeça, de rostinho delicado, do cabelo chanel, do olhar vago e esnobe, superior, não se fez em dois: explodiu em estilhaços...

A criança dentro daquele homem não conseguiu encontrar em nenhuma mulher o rosto de sua bailarina amada. Assim, sua imaginação permaneceu para sempre só.

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