sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Sonhos

Pela ponte de vidro caminham sonhos. Invisíveis, eles dançam entre as pessoas. Intangíveis, eles cortam corações. E assim eles vão: como água correndo entre os dedos, como água escorrendo dos olhos.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Sara e Vivis - Sonho

- O cara de peixe voltou! - E essa foi a primeira vez que vi um sorriso no rosto de Vivis essa manhã. Na verdade, era a primeira vez desde que retornamos à nossa vila.

Da lagoa, o sapo com cara de peixe resmungou alguma coisa enquanto jogava para nós os chumaços de algas alviverdes arroxeadas, essenciais para uma nova roupa mágica. Era o último ingrediente. Entramos no casebre de madeira, onde Vivis organizara os outros ingredientes.

Me despi. Ela colocou as mãos em minhas costas e senti o frio da magia percorrer meu corpo. Senti suas mãos se afastarem e, ao meu redor, algas, algodão, couro e fumaças coloridas rodopiaram em minha direção, se moldando ao meu redor.

Estava pronto. Parecia uma roupa comum, mas aguentaria uma baforada de um dragão. Ou, para ser precisa, duas baforadas. Vivis estava chorando. Me abraçou.

- Acabou, Sara. Chegando na vila eu senti. Estou presa à herança da minha mãe e sou a nova bruxa da região.



Acordei segurando o choro, com as mil palavras que engasgaram na hora daquela revelação. Nas tentativas em vão que eu não faria para tentar salvá-la das obrigações.  

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

gotas

Te ver assim, em poucas gotas, me esvazia

Eu, que sou mar, caminho de baleia

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A voz

Com tinta vermelha, escrevo meus sonhos em um papel e
coloco palavras na areia.
Sussurro na tempestade
e o som da poesia morre no deserto.

Assim voa minha criatividade:
suas chamas incandescentes
queimando minhas asas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

menos BPM

Mil informações a minha direita
(tela do computador)
Dez mil a minha esquerda 
(colegas de trabalho em suas críticas, reclamações, comentários e engodos)

A parte disso, um fone de ouvido.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

ombro

Acordei outro dia com dores no ombro. Não incomoda tanto. Não mais que a rotina de estar a frente de um computador em um dia de sol, corrigindo a postura como o médico mandou. A mochila está mais leve, o foco perdido. Mesmo o ato de deitar na cama a noite é uma pequena reclamação do corpo.

Hoje não tive sono e nem vontade de escrever,
mas escrevo para vencer minha insônia.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

recomeçar

Rachar significantes e significados e, com os cacos,
se cortar com poesias.

Quebrar a ponte de vidro e mergulhar com seus fragmentos em minha carne.